Falar em “Semana Santa” sem falar em “Festival da Barranca” e sem mencionar José Bicca é, no mínimo estranho. Já somam-se, praticamente, três anos que ele partiu para o grande pago, mas é impossível esquecer aquela voz, aquele magnífico trabalho que nos brindou com seu nato talento. Outras roupagens vestem o festival da Barranca, novos talentos são descortinados e com eles nossa saudade dos velhos tempos.
                             Nossa homenagem a este ANGUERA que deixou muitas saudades.

Um breve referencial sobre José Lewis Bicca, o popular Zé Bicca.

"José Lewis Bicca, natural de Cachoeira do Sul. Em 1961, veio para São Borja, onde trabalhava na lavoura. Desenvolveu uma série de atividades durante a vida. Era auditor fiscal público aposentado e mantinha uma pequena marcenaria em casa — seu sonho era ser engenheiro. Chegou a ser jogador de basquete, atividade que tentou difundir em São Borja.

O verdadeiro talento surgiu com a ajuda de seu amigo Apparício Silva Rillo (1931 — 1995): a música. Do Clube dos Dez, grupo formado por amigos que se reuniam com os mais variados objetivos, Bicca ajudou a fundar Os Angueras — Grupo Amador de Arte.

Os Angueras participaram de diversos eventos no interior do Estado, entre eles a "Califórnia da Canção Nativa", de Uruguaiana. Rillo era quem fazia as letras e Bicca era o compositor das músicas. Com os Angueras, Bicca participou de dois álbuns. Em 1975, "Cantos de Pampa e Rio" foi lançado. Só 20 anos depois, em 1995, veio o segundo trabalho gravado, "Sinhá Querência".

Em 9 de outubro de 1982, Zé Bicca, como era conhecido, também foi personagem da fundação do Museu da Estância, em São Borja. O local é um acervo dos mais variados trabalhos dos homens do campo, principalmente com materiais oriundos de estâncias e fazendas da região das Missões e da Fronteira Oeste.

Zé Bicca se consagrou ao ser personagem fundamental para a criação de um dos eventos da música mais importantes do Estado: o Festival da Barranca, em 1972, que se mantém firme até hoje. Adorador da música nativista, queria ver um evento sem competições. Bicca nunca considerou o evento um festival, mas sim um encontro de músicos profissionais e amadores em São Borja. Na Barranca, não entram mulheres (por falta de conforto a elas, dizia Bicca) e nem que não seja convidado. Anualmente, 300 pessoas se reúnem às margens do Rio Uruguai para celebrar a música, sempre em meio à Semana Santa". (Pioneiro)
O que ocorreu no Rio de Janeiro, com a criação da bossa nova por Vinícius de Moraes, Tom Jobim, Chico Buarque, entre outros, ocorreu também aqui no sul, com a poesia de Rillo e a música de “Os Angüeras”. A música regional foi intelectualizada por estes, e não devem nada em qualidade para a bossa nova, diz Marco Antônio Loguércio, genro de Rillo e organizador do Festival da Barranca.
Que venham as novas tecnologias, as novas ideias, mas que não se percam a essência.

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